segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

DISTÂNCIA E SILÊNCIO....

Esse título daria um bom filme de Bergman.... Distância e Silêncio. Essas duas palavras podem ter uma conotação muito relativa. Podemos querer distância daquilo que nos incomoda, daquilo que nos queima, da nossa própria vergonha, da nossa indecisão, da nossa própria falta de iniciativa. Silêncio dos nossos sentimentos, silêncio da voz que nos acalenta, silêncio da nossa covardia.

E esse silêncio que grita dentro de nós... silêncio barulhento... poderíamos nesse momento desejar que as buzinas dos carros e os gritos das crianças fossem ainda mais altos. Outras vezes é necessário pedir silêncio do lado de fora porque dentro a voz não cala. As perguntas tornam-se cada vez mais insistentes e o coração nos sinaliza a falta.
Distância de emoções que sufocam, distância de tudo o que poderia ter sido e que não foi!

Distância e silêncio talvez sejam esses os antídotos. Mas um dia o grito tem que sair, a labareda torna-se cinza, a vergonha vira desvergonha, a indecisão torna-se decisão e a falta de iniciativa transforma-se em ação.
Um dia o silêncio desaparece e aquilo que parecia distante torna-se tão perto... sempre chega o dia em que encaramos a realidade e pagamos o preço da visão. Podemos fugir em algumas situações, mas lá na frente, encontraremos a repetição dela em outros rostos.

Mais ainda assim, respeitaremos a superioridade da Distância e do Silêncio. O intervalo de tempo entre dois momentos ... o de encarar e o de fugir. O segredo que não queremos falar. Só não podemos distanciar e silenciar os pensamentos gerados por sentimentos ocultos... estes sim, gritam em meio à multidão, mesmo que demonstremos aparente calma e frieza.

Um comentário:

Ana Paula Mussel disse...

Amiga,
Esse seu texto é perfeito.
Sensível, inteligente, 'próximo e barulhento :o)' e, acima de tudo verdadeiro.
Coloquei um link no meu blog. Obrigada por compartilhar essa idéia do que é a distância e o silêncio...
beijos